JAGUARIBE ALERTA PARA POSSIBILIDADE DE CAOS SOCIAL

O Brasil tem a oportunidade de executar reformas estruturais visando ao resgate da imensa dívida social acumulada durante décadas. Para tanto, é necessário que se recupere a capacidade de formação da poupança interna do país-- em níveis históricos de 5,9% do Produto Interno Bruto (PIB)-- o que permitiria um aporte de US$20 bilhões por ano em programas voltados para a área social. Estes programas seriam desenvolvidos nos próximos 20 anos. Caso contrário, assistiremos ao agravamento de um processo caótico de consequências gravíssimas para todos os brasileiros. A análise é do sociólogo Hélio Jaguaribe, presidente do Instituto de Estudos Políticos e Sociais (IEPS), que acredita ser possível a reversão das dificuldades atuais com reformas sociais. Só assim, segundo ele, o país conseguirá atingir um patamar de desenvolvimento econômico similar ao apresentado hoje pelos países do Sul da Europa. O sociólogo afirmou que iniciativas como a de seu colega Herbert de Souza, o Betinho, secretário-executivo do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (IBASE), com o objetivo de combater a fome e a miséria, são louváveis e dignas de aplauso, mas não resolvem a questão, uma vez que não atacam as causas estruturais. "Podemos e devemos envidar esforços para atenuar o sofrimento de nossos irmãos, mas é claro que isso não muda, em termos conjunturais, o problema, que continuará pendente se não for alvo de políticas sociais contínuas", disse Jaguaribe. Ele afirma ser urgente que existam políticas sociais claras e consistentes que não deixem a grande massa da população em completo abandono, como está agora. Na avaliação do sociólogo, o governo federal tem de enfrentar agora a questão da marginalização crescente da população com reformas sociais, para que cheguemos ao ano que vem em condições mais favoráveis. Para que isso seja possível, ele diz ser indispensável o equilíbrio da contas governamentais (JC).