CAMPINAS ATACA FOME E MISÉRIA

Como dezenas de outras cidades brasileiras, Campinas, que se orgulhava de ser uma das mais ricas de São Paulo, hoje convive com a dura realidade do desemprego e dos bolsões de miséria. A prefeitura local calcula o déficit habitacional em 20 mil moradias. Assustado com a realidade que encontrou em seu segundo mandato na prefeitura de Campinas, o prefeito José Roberto Magalhães Teixeira (PSDB) decidiu mobilizar a sociedade para encontrar soluções e lançou o "Pacto contra a miséria". Foram criadas cinco comissões-- de Creche, Alimentação, Menor de Rua, Habitação e Frente de Trabalho--, que adotarão medidas de curto, médio e longo prazos para atacar o problema da fome e da miséria. Entre as medidas que já começaram a ser colocadas em prática está a distribuição diária de uma sopa. O objetivo final é distribuir sopa, durante 90 dias, para quatro mil famílias (cerca de 20 mil pessoas) que vivem em 18 bolsões de miséria. A Comissão da Frente de Trabalho recrutará operários que executarão obras de saneamento básico na comunidade onde residem, em troca de um salário e cesta básica. O projeto "Minha casa" é um programa alternativo para a construção de casas populares. O projeto vai funcionar por meio de parcerias entre os construtores, proprietários de terrenos e futuros compradores, com a intermediação da COHAB e o apoio da prefeitura. "Além de diminuir o déficit habitacional, pretendemos reaquecer a economia no setor da construção civil", explica Cesare Manfredi, presidente da COHAB local. "Em seis meses já deveremos estar gerando empregos". A idéia é unir construtores e donos de terrenos em parceria. Depois de formado o grupo de interessados na compra de uma casa, a construção poderá começar em seis meses, um terço do prazo que seria necessário no caso de um plano habitacional tradicional, que depende de financiamento. A grande novidade do "Minha casa" é a forma de arranjar os recursos para a construção. Os compradores pagarão suas parcelas antecipadamente, o que garantirá o dinheiro para a obra. "A prefeitura também poderá participar, garantindo a infra-estrutura", diz. Técnicos da prefeitura calculam que será possível a um comprador quitar totalmente sua dívida em 72 meses, prazo que poderá ser ampliado se houver consenso entre as partes envolvidas no projeto. Todas as unidades de um grupo de parceria estarão entregues em 30 meses em caso de lotes urbanizados e em até 60 meses se forem casas ou apartamentos (JB).