GOVERNOS ADOTARAM MAS NÃO ASSUMIRAM A AGENDA 21

Preocupados com a distância entre o discurso dos governos e a concretização dos compromissos assumidos durante a Rio-92, há exatamente um ano, as principais organizações não-governamentais do mundo estão se preparando para participar, a partir do dia 15 deste mês, em Nova Iorque (EUA), da primeira reunião da Comissão de Desenvolvimento Sustentável. A comissão foi criada em setembro de 1992 pela ONU para fiscalizar o cumprimento da Agenda 21-- a lista de princípios ambientais aprovados pelos países na conferência do ano passado. Os governos adotaram, mas não assumiram a Agenda 21, enfatiza Warren Lindner, presidente do Centro para Nosso Futuro Comum, uma das maiores ONGs do mundo, sediada em Genebra (Suíça), responsável pela organização do Fórum Global que reuniu 18 mil entidades de todo o planeta durante a Rio- 92. "Por isso, é fundamental estarmos vigilantes, sob o respaldo das Nações Unidas", justifica, após participar, ontem, do primeiro dia da Semana Mundial do Meio Ambiente, no Rio de Janeiro (RJ). A comissão está subordinada ao Conselho Econômico e Social da ONU. "Esta definição representou uma decepção para os ambientalistas, que queriam uma comissão de alto nível, ligada diretamente ao secretário-geral das Nações Unidas", afirma Liszt Vieira, presidente do Fórum Nacional das ONGs, organismo que congrega 1,5 mil entidades brasileiras. Em sua opinião, o governo brasileiro não está cumprindo as diretrizes da Rio- 92. "O IBAMA esta desestruturado e a política do governo não inclui as questões ambientais no planejamento econômico, o que significa dizer que o desenvolvimento sustentável não foi assumido como estratégia", critica Vieira. Na abertura da Semana Mundial do Meio Ambiente, o prefeito do Rio, César Maia (PMDB)-- que criou o evento por decreto, para fazer um balanço do primeiro ano após a Rio-92--, assinou um protocolo de intenções para a instalação do Centro de Referência sobre Meio Ambiente, no Rio de Janeiro. A instituição reunirá documentação sobre as medidas ambientais propostas no mundo para reverter o ritmo de destruição do planeta. Além de dispor do acervo da Rio-92, o Centro de Referência acompanhará as novas negociações em torno das convenções já existentes e daquelas em fase de elaboração (GM) (JB).