PESQUISA CONSTATA QUE O BRASIL CONTINUA RACISTA

Cento e cinco anos após a abolição da escravatura, o Brasil, que depois da Nigéria é o país que concentra a maior população negra, continua racista. A constatação é do professor da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília (UnB) e ex-chefe de gabinete do Ministério da Cultura Paulo Vicente Magalhães, que enumerou numa pesquisa a reduzida participação do negro na vida pública do país. "Entre os 503 deputados federais, os negros não chegam a uma dezena. Na carreira diplomática e nos altos escalões das Forças Armadas, a presença dos negros é quase nula e na hierarquia da Igreja Católica, com 357 bispos, os negros não passam de cinco, e entre os sete mil padres, os negros somam 200", informou Magalhães. Segundo ele, "para a negritude brasileira, a escravidão ainda não acabou. Ela se manifesta e se expressa sob formas disfarçadas de um humanismo consentido e indesejado, embutida nos antivalores da nossa cultura que submete os negros ao sistema de exploração do trabalho, à marginalização social, educativa e cultural e à discriminação religiosa e racial". Segundo o professor, a democracia racial no Brasil apenas existe quando o negro reconhece o seu lugar de ser inferior. Ainda em sua pesquisa, o professor conclui que na televisão o padrão de beleza do brasileiro são as crianças, jovens e adultos de traços fisionômicos finos e brancos. Os negros são apresentados como garçons, contínuos, capangas, criminosos, porteiros, domésticos etc. De acordo com a pesquisa, no campo profissional "o negro é apresentado quase sempre com a sua destreza de domínio psicomotor e força física, como, por exemplo, no boxe, futebol e corridas olímpicas. Nunca o negro aparece como médico, advogado, filósofo, bispo, sacerdote e governante" (JC).