MINISTRO DIFICULTA INVESTIGAÇÃO SOBRE XINGÓ

A decisão tomada esta semana pelo ministro das Minas e Energia, Paulino Cícero, de transferir para o Tribunal de Contas da União (TCU) a responsabilidade pela desarticulação do "esquema PC" na Hidrelétrica de Xingó, na prática elimina qualquer chance do governo de recuperar os US$600 milhões resultantes de superfaturamento na obra, estimados pelo próprio Cícero em novembro do ano passado. É que a construção da hidrelétrica, acelerada desde que o ex-ministro Eliseu Resende assumiu a presidência da ELETROBRÁS, em novembro, está chegando ao final-- em março faltavam apenas 7% das obras. Com isso o consórcio construtor (do qual faz parte a CBPO, do Grupo Odebrecht), conclui seu trabalho, recebe o dinheiro e nada é feito. Não há, porém, necessidade de paralisar as obras, como alega o ministro, para o governo tentar recuperar o prejuízo. Segundo o expediente ao TCU, ainda há US$963 milhões para serem pagos a essas empresas. Há margem para o governo negociar uma redução nesse valor. Mas se a obra continua sendo tocada e paga, e o ministro posterga uma solução, a Hidrelétrica de Xingó acabará saindo muito cara para os brasileiros e um excelente negócio para as três empreiteiras que a construíram (O ESP).