Os sistemas de abastecimento de água de 152 municípios do sertão nordestino entraram em colapso em consequência da seca que atinge a região. Outros 309 estão com o nível de abastecimento abaixo de 50% e devem entrar em colapso nos próximos 90 dias, segundo dados divulgados ontem pela SUDENE. O Estado do Ceará não forneceu dados e o Estado de Alagoas não conta com municípios em estado crítico. Existe atualmente cerca de 1,2 milhão de trabalhadores inscritos nas frentes produtivas, recebendo o equivalente a meio salário-mínimo. Esses trabalhadores estão espalhados por 1.040 municípios da região e executam obras hídricas e de saneamento. Ontem, o governo liberou a segunda parcela de recursos, no valor de Cr$1,3 trilhão, destinada a este programa, orçado em Cr$4,7 trilhões. O Programa das Frentes Produtivas foi criado para ser executado em três meses (abril, maio e junho), mas os governadores dos estados querem ampliar o prazo para até o final do ano, ou seja, até o próximo período de chuvas. No próximo dia 15, o presidente Itamar Franco receberá as propostas da comissão encarregada de debater o Programa de Ação Governamental para o Nordeste (PAG-Nordeste). O programa terá quatro linhas de ações: transformação do semi-árido; combate à pobreza e à miséria; investimentos em infra-estrutura nas capitais e cidades de porte médio; e uma política econômica baseada em financiamentos via FINOR, Fundo Constitucional, Programa de Apoio ao Produtor Rural (PAPP) e Pin-Proterra (GM).