Os 21 países ibero-americanos decidiram que a distribuição de seringas descartáveis a usuários de drogas injetáveis portadores do vírus da AIDS deve ser uma estratégia no combate à doença. "É uma maneira de evitar que os portadores disseminem o vírus pelo uso comum de seringas", disse a coordenadora do programa de AIDS do Ministério da Saúde, Lair Guerra de Macedo. O acordo foi feito na Conferência de Ministros da Saúde dos Países Iber- Americanos, encerrada ontem em Brasília (DF). Do encontro resultou um documento com diretrizes para prevenção e tratamento da AIDS e direitos humanos dos portadores do HIV. A partir de julho, segundo Lair Guerra, o governo vai implementar 10 projetos, entre os quais a distribuição de seringas. Pelo acordo assinado ontem, os governo se comprometem a eliminar a exigência de testes de HIV em exames pré-admissionais, estudantis ou vistos para turistas. Os países pretendem também ampliar a divulgação do uso da camisinha. A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima em um milhão o número de pessoas infectadas pelo vírus HIV na América Latina. Cerca de 130 mil já estão doentes-- 37 mil só no Brasil. Para tratá-las, o governo brasileiro prevê um gasto de US$200 milhões com a doença até 1995. O Banco Mundial (BIRD) deverá liberar US$160 milhões para os programas do país, com uma contrapartida de US$90 milhões do governo brasileiro. Durante o encontro, o Panamá sugeriu que, na questão da qualificação de mão-de-obra, seja dada prioridade à capacitação de médicos idosos. Caso peguem a doença, já estão na segunda metade da vida. Cuba e Peru defenderam que saúde nada tem a ver com direitos humanos. Embora tenham assinado o acordo, os dois países se opunham ao convívio social do aidético. Em Cuba, os portadores do HIV são segregados em colônias agrícolas (FSP).