PRESSÃO SOBRE O BRASIL NO MERCOSUL

A Argentina e o Uruguai estão pressionando o Brasil para que reveja sua posição de manter protegidos seus mercados de produtos de informática e de automóveis. Essas pressões ficaram evidenciadas durante a visita do presidente Itamar Franco a Buenos Aires, encerrada ontem pela manhã, e a Montevidéu, iniciada à tarde. A Argentina está concentrando seus esforços diplomáticos na imediata redução a zero das tarifas brasileiras de importação de produtos de informática. A média é de 25% para compras feitas no MERCOSUL. Já o Uruguai pressiona por uma redução idêntica nas barreiras tarifárias às importações de automóveis. A proteção a esse mercado, no Brasil, ocorre em nível similar ao de produtos de informática nas compras realizadas no MERCOSUL. Ontem, negociadores brasileiros indicaram a disposição do país de vir a ceder, ao menos em parte, às pressões do Uruguai. De acordo com funcionários do Itamaraty, marcou-se uma reunião para junho, no Rio de Janeiro, onde se articulariam as bases de um acordo específico para viabilizar a importação de veículos montados no Uruguai com tarifa zero. O Uruguai importa partes e peças na forma de "kits"-- também conhecidos como "CKD"-- e processa a montagem. Seus principais modelos são Toyota e Peugeot. A resistência brasileira à abertura de seus mercados de informática e automóveis-- assim como de produtos químicos-- tem fundamentos políticos, argumentam funcionários do Itamaraty. Alegam que a visão do governo brasileiro é de uma integração regional com critérios de preservação de setores específicos do parque industrial, nos quais o país teria grande poder de competitividade-- em relação aos sócios do MERCOSUL-- ou mesmo interesse estratégico. Esse ponto de vista não é compartilhado pela Argentina, por exemplo, que não chegou a desenvolver uma indústria local de informática, mas criou uma linha de montagem com relativo sucesso. O mesmo ocorre com a produção uruguaia de automóveis. A sinalização de uma possível abertura do Brasil em um desses mercados, obtida ontem pelo governo uruguaio, pode vir a se constituir numa importante mudança de postura. Se concretizada, em junho (GM).