O presidente da Associação Brasileira dos Bancos Internacionais (ABBI), Henrique Meirelles, criticou ontem a decisão do governo de pedir aos bancos privados credores do país que diminuam a preferência pelos bônus ao par (sem deságio) na renegociação da dívida externa. Para ele, os limites definidos pelo Brasil neste mês deviam ter sido determinados no ano passado, quando o país negociou com o comitê de bancos credores a reestruturação do pagamento da dívida, hoje avaliada em US$35,5 bilhões. Desse total, na distribuição atual, 59,6% correspondem a bônus ao par e apenas 19,6% a papéis com desconto. "Este vai-e-volta desgasta o Brasil junto aos bancos. Com isto, a negociação sobre a opção dos credores aos bônus pode se finalizar depois de julho, contrariando a previsão do governo de encerrá-la dentro de pouco mais de um mês", afirmou. Meirelles acredita, porém, que os bancos não apresentarão resistência para rebalanceamento dos bônus (GM).