O BANERJ (Banco do Estado do Rio de Janeiro) teve no ano passado um prejuízo superior aos Cr$722 bilhões que registrou oficialmente no seu balanço. O banco usou um artifício e contabilizou como receita recebida a dívida de Cr$2,8 trilhões do Metrô assumida em nome do Estado do Rio de Janeiro, que, no entanto, só deve efetuar esse pagamento a partir de 1996. Mesmo assim se for respeitado o acordo firmado no ano passado entre os governos federal e estadual. Se o balanço de 1992 tivesse apresentado o prejuízo real, o patrimônio líquido do BANERJ ficaria negativo em cerca de Cr$2 trilhões-- o que significa que seria impossível ao banco continuar operando, porque todos os seus ativos, somados, seriam insuficientes para pagar as obrigações. Segundo especialistas em análise de balanços, contabilizar uma receita ainda não recebida, embora previsto pela legislação, é uma forma de marcarar resultados (O Globo).