O presidente Itamar Franco divulgou ontem uma nota conjunta com o presidente da Argentina, Carlos Menem, condenando o golpe de Estado na Guatemala. Itamar, que está em visita oficial à Argentina, fez um apelo ao presidente da Guatemala, Jorge Serrano, para que restabeleça a normalidade institucional e a plena vigência da Constituição o mais breve possível. Itamar e Menem indicaram, na declaração, estarem "convencidos de que os valores da democracia representativa e o respeito aos direitos humanos constituem elementos essenciais e condições indispensáveis para a estabilidade, a paz e o desenvolvimento da região". Em Brasília, o presidente em exercício, deputado Inocêncio de Oliveira (PFL-PE), se disse solidário com o protesto do grupo brasileiro do Parlamento Latino-Americano contra o golpe na Guatemala. Em nota oficial, o grupo de parlamentares ressalta que o golpe põe em risco a estabilidade política na América Latina, reafirma a sua confiança na democracia e condena o uso da força contra a independência política e a integridade territorial de qualquer Estado. Lembra, ainda, que a via constitucional é o melhor caminho para se combater as crises. O Parlamento Latino-Americano solicitou ao Conselho das Organizações dos Estados Americanos (OEA), a imediata suspensão da Guatemala como membro do organismo. Um dia depois do golpe, a Guatemala amanheceu ontem sem jornal, TV e rádio. Os três jornais do país foram totalmente censurados, as 60 emissoras de rádio só puderam transmitir música e os dois canais de televisão sairam do ar em protesto contra o golpe de Estado. Serrano, no entanto, declarou à TV mexicana ECO que não implantou uma ditadura. Negou que tivesse suspendido a Constituição e garantiu que conta com o apoio da população e do Exército (O Globo) (JC).