DESEMPREGO É A AMEAÇA DA DÉCADA

No seu quarto "Relatório Mundial sobre o Desenvolvimento Humano", a bíblia do desenvolvimento qualitativo, o PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) denuncia o desemprego como a ameaça devastadora dos anos 90 e transmite dois recados vitais par os países do Terceiro Mundi: A privatização não é uma panacéia e, para evitar uma situação social
74104 incontrolável, cheogu a hora de uma mudança. Os modelos de crescimento dos países ricos estão sendo ultrapassados pelos asiáticos, onde um dos fundamentos do sucesso passa prioritariamente pela reforma agrária. PNUD questiona a má repartição de terras, especialmente na América Latina. "A modificação nas relações de força passa pelo surgimento de contrapesos, até mesmo uma revolução", diz o texto. Nos países industrializados, apesar de um crescimento econômico "respeitável", durante os anos 1973/87, o desemprego triplicou entre os 25 países ricos da OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico), passando de 3% no meio dos anos 70 a mais de 10% em 1992 (31 milhões em 1991). As principais causas seriam: aumento dos custos do trabalho e inovações tecnológicas, como subproduto da pesquisa militar. Se o crescimento de empregos na atual conjuntura tivesse acompanhado as
74104 taxas das oito retomadas precedentes da economia, 3,9 milhões de empregos
74104 teriam sido criados, diz o documento. Nos países em desenvolvimento, a situação é ainda pior. O PIB (Produto Interno Bruto) aumentou entre 4% e 5% entre 1960/1973, mas a oferta de emprego não chegou à metade destes índices. A mão-de-obra elevou-se a 400 milhões de pessoas nos últimos 30 anos e nesta década seria necessário criar quase um bilhão de novos postos de trabalho. Para o PNUD, a privatização, concebida como um elemento fundamental de um programa de restruturação econômica, pode, por um lado, estimular a iniciativa privada, mas por outro tem se constituído numa verdadeira liquidação de empresas públicas em favor de grupos privilegiados. O balanço da privatização nos países em desenvolvimento deixa dúvidas sobre a eficácia e para estes o PNUD passa um alerta: cuidado com os sete pecados capitais da privatização. São eles: 1) falta de critério, 2) em condições equivocadas; 3) pouca transparência; 4) apenas para financiar déficits orçamentários; 5) ausência de estratégia financeira; 6) ausência de estratégias realistas de emprego; e 7) ausência de um consenso político. Mas afinal, como sair do impasse? "Receitas milagrosas não existem", analisou Jean Fabre, porta-voz do PNUD. "Os chefes de governo, de empresas e os sindicatos devem refletir em conjunto e operar uma revolução do pensamento econômico". Entretanto, sem soluções para os ricos, o PNUD deixa pistas para os países em desenvolvimento. "O exemplo da Ásia do Leste (Coréia do Sul e Taiwan em particular) pode muito bem fazer escola. primeiro passo: uma reforma agrária com consequente melhoria de rendimentos criou empregos no campo e na indústria. Segundo: o investimento realizado na educação e na formação teve efeito positivo sobre a utilização de técnicas que a abertura da economia privada à concorrência estimularam. Na Coréia, por exemplo, entre 1952 e 1954, a proporção de agricultores proprietários passou de 50% para 94%. Assim, entre 1954 e 1968, a intensidade de mão-de-obra por hectare aumentou 4,7% ao ano (JB).