NAFTA AFETA EXPORTAÇÕES BRASILEIRAS

As indústrias brasileiras que exportam seus produtos para EUA, Canadá e México poderão ter suas vendas afetadas quando entrar em vigor o NAFTA, no dia 1o. de janeiro de 1994. No curto prazo, sentirão os efeitos os exportadores de veículos e de autopeças, que, de acordo com o certificado de origem, para serem considerados produtos do NAFTA terão que ter um mínimo de 50% a 65%, respectivamente, de índice de nacionalização. Também o segmento de produtos agrícolas brasileiros deverá ser afetado pela unificação comercial dos três países, pois estima-se que no início da vigência do acordo 50% dos produtos dos EUA entrarão no México com alíquota zero, avançando gradativamente até chegar aos 95%. A opinião é de Earl Fry, professor de Ciência Política da Brigham Young University, de Utah (EUA), que esteve ontem na Câmara Americana de Comércio, em São Paulo (SP), falando sobre o NAFTA. Para ele, dependerá do presidente Bill Clinton definir se o NAFTA será o início de uma Iniciativa para as Américas, como pretendia George Bush. "Os EUA têm que escolher o eixo para o qual se voltarão. Pode ser a América do Sul em geral, o lado do Chile ou mesmo do Pacífico, unindo-se a países como Cingapura, Hong Cong ou Coréia do Sul, que estão interessados num acordo desse tipo", disse Fry. Dentro dos EUA, segundo o professor, existe bastante otimismo em relação ao MERCOSUL. "Acreditamos que vá funcionar", disse ele, destacando, entretanto, que é consenso no seu país que se deve avançar a estabilidade econômica na América do Sul. "O México e o Chile são, com certeza, bons modelos", exemplificou. Fry disse, ainda, que cada um dos três países tem autonomia para assinar outros acordos de livre comércio com terceiras nações (GM).