Considerado um dos estados mais europeus do país, o Rio Grande do Sul começa a ter problemas que são comuns apenas no Nordeste brasileiro. Segundo pesquisa feita pela epidemiologista Denise Aerts, as crianças entre zero e cinco anos de determinados bairros da capital Porto Alegre estão com a estatura abaixo do normal. Essas crianças estão gerando uma versão gaúcha do ser humano de pequena estatura que habita os bolsões de miséria do Nordeste. Essa espécie de "gaúcho-gabiru" pode ser irreversível se nada for feito no estado em termos de melhoria da nutrição. A pesquisa com 3.389 crianças. Uma das regiões críticas de Porto Alegre é a vila Cai-Cai, uma das maiores favelas. Segundo a pesquisa, 69 em cada 100 crianças de zero a cinco anos sofrem de retardo no crescimento. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), é comum haver desvios no crescimento de crianças quando um grande grupo está em análise. Se as condições de alimentação forem as ideais, em um grupo de 100, a OMS admite haver três crianças com estatura abaixo do normal. A pesquisa constatou que o retardo de crescimento ocorre em 6,8% das crianças de Porto Alegre. Ou seja, a capital gaúcha está fora dos padrões da OMS. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 10% das crianças brasileiras nasciam com peso abaixo do normal em 1989. São as crianças abaixo do peso ao nascer as mais propensas a ficar com estatura abaixo do normal. O Rio Grande do Sul tem 171 favelas, com 40.269 domicílios. Desse total, 69 favelas estão em Porto Alegre, com 25.371 domicílios (FSP).