MORTALIDADE NA ADOLESCÊNCIA

Pesquisa realizada pelo coordenador do Programa de Saúde Materno-Infantil da Organização Pan-Americana de Saúde (OPS), o médico brasileiro João Yunes, aponta o Brasil como um dos três países das Américas com maior índice de mortalidade na adolescência, perdendo apenas para El Salvador e Colômbia, que enfrentam problemas específicos como guerrilha e narcotráfico. No Brasil, de cada 100 mil adolescentes, 74 morrem, resultando num total de óbitos anual da ordem de 34 mil pessoas com idade entre 10 e 19 anos. Yunes aponta entre as principais causas das mortes de adolescentes os acidentes, homicídios, suicídios, tumores e doenças do sistema circulatório. As mortes violentas-- homicídios e suicídios-- são fatores que estão aumentando a cada ano, especialmente na América Latina. El Salvador, Colômbia e Brasil, pela ordem, são os países em que os adolescentes mais são assassinados. No item suicídio, Trinidad e Tobago assume a ponta, seguido dos EUA e Brasil. Os acidentes de trânsito matam mais na Venezuela, Brasil e EUA. Existem nas três Américas quase 200 milhões de adolescentes, sendo que cerca de 75% destes estão na América Latina e Caribe (aproximadamente 135 milhões). Os três maiores países-- EUA, Brasil e México-- têm 64% dos adolescentes (84 milhões de habitantes). Embora os acidentes sejam o principal problema de saúde dos adolescentes, as doenças sexualmente transmissíveis começam a crescer em importância. Segundo Yunes, os casos de gonorréia e sífilis aumentam bastante, sem falar na AIDS. "Cerca de 50% dos casos de AIDS incidem na população com menos de 25 anos", observou. Ainda de acordo com a pesquisa, no Chile, por exemplo, 70% dos adolescentes fazem uso de álcool, enquanto no Peru e Cuba o fumo atinge níveis elevados. "Com relação a drogas, não dispomos de dados, mas sabemos que é um fenômeno normalmente associado aos hábitos do álcool e do fumo", explicou o médico (JB).