CIA PREVÊ CAOS NO BRASIL EM SEIS MESES

A CIA (Agência Central de Informações) dos EUA realizou ontem uma reunião de avaliação especial de seis horas sobre a situação política e econômica do Brasil. Ao final, foi formado um grupo de trabalho para observar atentamente os acontecimentos brasileiros. Segundo uma fonte, a CIA acredita que existe um clima de insatisfação geral no país que está se transformando, aos poucos, numa "situação de intolerância". A CIA prevê que se a situação continuar como está, haverá uma desestabilização política e social dentro de seis meses. Ninguém, exceto os agentes da CIA, sabem que critérios foram adotados na avaliação, que informações foram consideradas e de onde os dados sobre o Brasil foram retirados além da leitura dos jornais. Os agentes concluíram que a instabilidade se manifestaria através de saques a supermercados, aumento de falências de empresas, e o início de demissões nas companhias multinacionais. Depois da "análise de conjuntura" dos agentes norte-americanos, o Brasil passou a um estágio de "early warning", expressão utilizada para classificar países que devem passar a ser monitorados com maior atenção. Trata-se de um sinal de "advertência inicial". A possibilidade de o presidente Itamar Franco não conseguir chegar ao final de seu mandato foi classificada como "plausível" pelos analistas, que enquadraram o país "de acordo com o plano B". Ou seja, vão estudar as alternativas caso o presidente venha a ser substituído. Eles afastam a possibilidade de um golpe militar. A análise do comportamento dos militares ocupou duas horas da reunião, da qual participaram também analistas do Conselho de Segurança Nacional, da Casa Branca. Chegou-se a um cenário específico: não haveria grandes reclamações ou protestos, tanto no Brasil quanto no exterior, se houvesse um contrapeso militar no governo. Ou seja: uma negociação que fizesse com que dois ou três "ministérios civis" passassem a ser ocupados por militares. A CIA acha que a democracia no país-- assim como em outros países latino-americanos-- está num período de transição em que "a velha guarda não abre mão de seus postos e posições" (O Globo).