Os índios que vivem na Amazônia não aceitam que o Exército intensifique sua atuação na região e estão dispostos a lutar para defender suas reservas da presença militar. "Não queremos eles nas nossas terras. Se insistirem, a gente corre eles", afirmou ontem, em Genebra (Suíça), o índio macuxi José Adalberto Silva. Como representante das 85 aldeias que vivem na Reserva de Raposa/Serra do Sol (Roraima, fronteira com a Venezuela e Guiana), ele admitiu que ao menos os índios desta reserva contam com armas para se defender. "Temos três metralhadoras, 1.500 revólveres, 300 rifles e 400 espingardas", informou. As armas teriam pertencido a dois mil garimpeiros expulsos da reserva em agosto de 1992. Silva está na Europa, participando de uma campanha internacional a favor da demarcação de terras indígenas. A viagem está sendo financiada por várias organizações não- governamentais, entre elas Greenpeace, Oxfam e Terra dos Homens. Eles (os militares) falam que vão para a Amazônia para guardar a
74073 fronteira, mas é mentira. Os fazendeiros e garimpeiros colocam os
74073 militares contra nós e eles ajudam a tomar nossa terra, disse José Adalberto Silva. Segundo ele, o último incidente envolvendo militares na região foi entre outubro e setembro de 92, quando um grupo de soldados tomou a aldeia de Maturica, a dois quilômetros da fronteira com a Venezuela. "Eles disseram que estavam lá para expulsar uma missão católica, mas logo depois começaram a construir um quartel. Quando ficaram só 50 soldados, mais de 1.500 índios aproveitaram para quebrar tudo e correr eles de lá. A atuação deles não tem nada de social. Querem é controlar a gente", afirmou. Na sua opinião, os índios devem se mobilizar contra o reforço de tropas na Amazônia (JB).