CASO PC FARIAS COMPLETA UM ANO

O escândalo que envolveu o presidente da República, ministros de Estado e grandes empresários-- o chamado governo paralelo tutelado pelo empresário alagoano Paulo César Farias, o PC-- completa, amanhã, um ano sem que nenhum dos acusados tenha ido para a cadeia. As mesmas denúncias de corrupção que levaram ao afastamento do ex-presidente Fernando Collor de Mello e à criação de mais de três dezenas de inquéritos policiais conseguiram, até agora, apenas dar início a um processo por crime comum no Supremo Tribunal Federal (STF) contra nove dos envolvidos. A postura cínica da quadrilha tem levado a polícia a descobrir novas
74049 provas. Até hoje, eles não reconhecem nem as contas fantasmas, afirma o delegado da Polícia Federal Paulo Lacerda. Na tentativa de seguir o rastro deixado pelos integrantes do esquema de corrupção na administração federal, Lacerda já não ousa prever quando terminarão as investigações. Conhecido pelo rigor nas investigações, Paulo Lacerda conseguiu transformar as acusações do irmão do ex-presidente, Pedro Collor de Mello, num grande inquérito policial, que no decorrer dos trabalhos foi sendo desmembrado. Hoje, 34 inquéritos tramitam entre o Departamento de Polícia Federal, a 10a. Vara da Justiça Federal e a Procuradoria da República. Recheadas de provas sobre práticas de extorsão, sonegação fiscal, corrupção e coação de testemunhas, as apurações renderam 122 indiciamentos. Desses, 34 foram de PC, enquadrado em crimes de falsidade ideológica, exploração de prestígio, corrupção ativa e passiva, além de formação de quadrilha e emissão de duplicata falsa. Nem mesmo a decretação da indisponibilidade dos bens parece ter afetado Collor, PC e os demais integrantes do esquema. O ex-presidente, quando não frequenta a ponte-aérea Brasília-Maceió, passa os dias na Casa da Dinda. PC, apesar de ter tido que desmontar a EPC e a Brasil Jet Táxi Aéreo por falta de clientes, inaugurou uma revendedora de carros importados e, por enquanto, não pagou nem um centavo das multas à Receita Federal. Hoje, o delegado Paulo Lacerda entrega ao STF o inquérito que apurou as ligações da ex-ministra da Economia Zélia Cardoso de Mello com o esquema de propinas de PC Farias. O delegado indiciou Zélia no artigo 317 do Código Penal, que define o crime de corrupção passiva. Se condenada, Zélia poderá pegar de um a oito anos de cadeia além de pagar multa em dinheiro. O inquérito sobre Zélia é o 16o. sobre PC a ser concluído e entregue ao STF. Zélia foi indiciada em outubro de 1992 por irregularidades na privatização da VASP. Posteriormente, foi indiciada em uma das variáveis do caso PC (JB).