O paciente Paulo, um dos 17 portadores do vírus HIV abrigados no 6o. andar do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (RS), morreu tranquilo, sem dores e não fez uso dos sedativos comumente aplicados em pacientes terminais de AIDS. Ele faz parte de uma experiência sem similar criada pelos médicos Victor Petrillo, Ana Caramori e a enfermeira Marione Machado. O grupo está aplicando a técnica de psicoterapia no leito de morte. Os médicos afirmam que a experiência não só reduz as dores dos pacientes como ameniza o sofrimento psicológico. Dos 22 pacientes tratados com psicoterapia, nos três últimos meses, 20 dispensaram uso de morfina. Só dois morreram sedados e com dores. O tratamento reúne o ineditismo da prática (psicoterapia para quem sabe que vai morrer) com uma abordagem ainda menos convencional. O grupo está relatando aos pacientes a gravidade da situação e falando da possibilidade concreta da morte. "Todos os que foram tratados até agora afirmaram que o medo era da morte e não da doença. E achamos que o médico também precisa ajudar a morrer", diz Petrillo (JB).