TRABALHO ESCRAVO EM MONTES CLAROS

Famílias de carvoeiros do norte de Minas Gerais estão vivendo em condições desumanas que se assemelham à escravidão. Confinadas em pequenas clareiras abertas no meio de florestas de eucaliptos, elas trabalham até 18 horas por dia, não são registradas, ganham menos de um salário-mínimo e ainda são obrigadas a usar quase todo o dinheiro que recebem para pagar a comida que é fornecida pelos seus empregadores. Nem crianças com menos de 10 anos de idade escapam da tarefa de queimar madeira e respirar a fumaça dos fornos de carvão. São os trabalhadores mais explorados do país. A única perspectiva que
74032 têm é a morte. A escravidão ainda não acabou nessa região, diz o subdelegado do Trabalho de Montes Claros, Luiz Antônio Chaves. Ninguém sabe ao certo quantos carvoeiros vivem nessa situação na região. Luiz Chaves estima que sejam milhares. Segundo ele, por trás da miséria dos carvoeiros estão empresas siderúrgicas e de reflorestamento que contratam empreiteiros para administrar seus negócios com carvão. Os empreiteiros, conhecidos como "gatos" evitam que as empresas criem vínculos empregatícios com os carvoeiros. Eles arrebanham famílias para trabalhar em determinada propriedade e assumem verbalmente o compromisso de pagá-las ao final de cada quinzena. O risco de multas pela fiscalização da Delegacia do Trabalho também é assumido pelos "gatos". Com isso, as empresas acreditam que estão livres de punições. Uma dessas empresas, segundo Luiz Chaves, é a Companhia Siderúrgica Guanabara (COSIGUA), do grupo Gerdau, um dos maiores do setor no país. A 40 km de Montes Claros, a COSIGUA possui uma área de floresta de eucaliptos onde vivem quatro famílias. A produção de carvão de cada uma delas é controlada pelo "gato" Juarez Cardoso. Com basse nessa produção, ele faz o pagamento às famílias, que já vem com o desconto das despesas com alimentação (O Globo).