A negligência dos Poderes Executivo e Legislativo deixa exposta uma ameaça invisível a milhões de brasileiros: a radioatividade de 7.800 toneladas de rejeitos nucleares. O lixo atômico está estocado em depósitos provisórios espalhados por Rio de Janeiro, São Paulo, Goiás e Minas Gerais, sem a segurança necessária. Parte desses rejeitos pode levar até 300 anos para deixar de representar perigo. Enquanto o lixo se acumula, arrasta-se desde 1987, no Congresso Nacional, um projeto de lei-- proposto pelo governo logo após o acidente com o césio-137, em Goiânia (GO)-- que permitirá a construção de um depósito definitivo. O projeto ainda passará por duas comissões e pelo plenário. Nas duas comissões anteriores, ficou durante cinco anos. O último substitutivo, em 1989, foi do então senador Itamar Franco. Cerca de 150 toneladas de rejeitos radioativos de baixa e média atividade, por exemplo, estão hoje armazenadas em 788 tambores e 50 caixas metálicas no depósito do IPEN (Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares), construído dentro do campus da USP (Universidade de São Paulo), no bairro do Butantã, zona oeste da capital paulista. O depósito está situado a cerca de dois quilômetros de áreas residenciais e comerciais bastante movimentadas. Embora assegurem que todo o material está acondicionado adequadamente, técnicos do IPEN admitem que o depósito foi construído no início dos anos 80 para funcionar apenas temporariamente (O Globo).