LUTA CONTRA A FOME REÚNE NOVOS COMITÊS NO RJ

O sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, secretário-executivo do IBASE, anunciou ontem a criação de um novo Comitê de Propostas para o encaminhamento da campanha contra a fome no Estado do Rio de Janeiro. O engajamento das prefeituras na política de criação de empregos foi uma das propostas apresentadas. Após receber do deputado estadual Carlos Minc (PT-RJ), do coordenador-geral do Instituto de Desenvolvimento e Ação Comunitária, Agostinho Guerreiro, e do professor Emílio La Rovere, do COPPE/UFRJ, sugestões para a sua cruzada contra a fome, o sociólogo anunciou a decisão de criar um novo comitê que reunisse as pessoas já engajadas na luta contra a miséria. Na reunião, foram entregues vários estudos já realizados sobre a fome e um mapa assinalando os bolsões de pobreza no Estado do Rio de Janeiro e as condições das terras em cada uma das regiões. "No Norte Fluminense, por exemplo, nós temos uma grande extensão de terra produtiva e, no entanto, lá só se produz cana-de-açúcar. Porque não produzir alimentos nesta área? Hoje há em mãos do governo um estoque de três milhões de toneladas de arroz e 500 mil de feijão. Esse estoque poderia beneficiar oito milhões de famílias", argumentou o engenheiro Agostinho Guerreiro em sua exposição. O deputado Carlos Minc sugeriu-- e teve sua proposta foi endossada--que a verba destinada ao Programa de Despoluição da Baía de Guanabara (US$800 milhões) também seja usada na criação de empregos para as 400 mil famílias que moram em seu entorno. "Se a concentração da pobreza não for resolvida, não será possível despoluí-la", justificou Minc, que apresentou o Mapa da Fome, localizando por áreas as 622 mil famílias que passam fome em todo o estado. Com 150 mil famílias na indigência, a Baixada Fluminense é apontada como a região mais carente. Segundo cálculos de Betinho, para saciar a fome dos oito milhões de famílias que vivem na miséria em todo Brasil seria necessário criar igual número de empregos, com remuneração um pouco acima de um salário- mínimo (US$100,00). O montante somaria anualmente cerca de Cr$9,6 bilhões. "Um programa de geração de empregos exige recursos mínimos. Só os programas governamentais para o combate à fome receberam dotação de Cr$22 bilhões", assinalou Betinho. No próximo dia 26, o grupo, liderado pelo deputado Carlos Minc, volta a se reunir com Betinho na sede do Comitê-Rio, para traçar novas estratégias de combate à fome. Após o encontro no IBASE, o sociólogo foi para a Fundição Progresso para participar da campanha Um Minuto Contra a Fome, onde artistas gravarão depoimentos para serem futuramente veiculados como parte da campanha liderada por Herbert de Souza (JB) (O Dia).