O senador Fernando Henrique Cardoso (PSDB-SP) assume hoje o Ministério da Fazenda, em Brasília (DF), com carta branca para formar sua equipe e a missão de, segundo declarou ontem em Nova Iorque (EUA), ainda na condição de ministro das Relações Exteriores, fazer o Brasil "reconquistar a confiança em si mesmo". Cardoso substitui Eliseu Resende com poderes de superministro. Ontem mesmo, ele começou a nomear assessores. Pedro Malan será o negociador da dívida externa e Edmar Bacha foi convidado a assumir a Secretaria Executiva do Ministério. Paulo César Ximenes fica, por enquanto, na presidência do Banco Central. A primeira medida de Fernando Henrique na economia já está decidida: ele anunciou que vai cortar todas as despesas do Orçamento da União que não tenham contrapartida de recursos. O ministro é favorável ao congelamento, não de preços e salários, mas sim de gastos. Ele afirmou que manterá o atual plano econômico do governo e considerou inviável um aumento de 96% aos servidores. Garantiu também que reduzirá "as escorchantes taxas de juros". Ontem, conversou com Michel Camdessus, diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), e acertou uma nova visita de técnicos do Fundo ao Brasil. Fernando Henrique garantiu que não haverá congelamentos ou choques econômicos em sua gestão. "Não vou dar sustos no mercado. Não temos que ter aflições, temos que ter confiança", afirmou. "Não vai haver surpresas nem passes de mágica", garantiu. Ele revelou que pretende aumentar o controle dos gastos públicos, apoiar a atual estratégia de renegociação da dívida externa com os bancos privados e reativar o acordo com o FMI. O ex-ministro Eliseu Resende atribuiu o seu pedido de demissão à depressão moral em que mergulhou. Eliseu disse que considerou humilhante a obrigação de comparecer ao Senado para se defender da denúncia, por ele refutada, de que teria tentado favorecer a Construtora Norberto Odebrecht (O ESP) (O Globo) (FSP) (JB).