O general da reserva Romildo Canhim, que assumiu ontem o cargo de ministro- chefe da Secretaria de Administração Federal (SAF), no lugar de Luiza Erundina, disse que o fato de vestir farda não é motivo para ser rotulado como representante da direita no governo. A declaração ocorreu ao mesmo tempo em que, do lado de fora do Palácio do Planalto, cerca de quatro mil servidores públicos em greve gritavam palavras de ordem e classificavam sua nomeação de retrocesso. Para ele, substituir Erundina, filiada ao PT, não incomoda: "Essa divisão de esquerda e direita é coisa do passado. Não tenho participação político-partidária". Seu primeiro objetivo no cargo, conforme prometeu, é trabalhar na elaboração de uma política salarial para melhorar a situação do funcionalismo público, "que está muito desgastado". O índice de reajuste do funcionalismo será anunciado após a chegada do novo ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso. O general admitiu, porém, que sua indicação poderá "colaborar para o bem- estar nos quartéis", já que os militares também estão inquietos por causa dos baixos salários. O general Canhim prometeu, ainda, dar continuidade a todas as sindicâncias e inquéritos iniciados na administração de Erundina (O ESP).