O intercâmbio comercial entre Brasil e a Argentina deverá somar neste ano US$5,5 bilhões, com crescimento de US$1 bilhão em relação ao valor obtido no ano passado. O déficit argentino, que em 92 foi de quase US$1,5 bilhão, deverá ser atenuado, já que o Brasil assumiu compromisso de aumentar as importações de petróleo, trigo e veículos da Argentina. Este quadro, delineado por diplomatas brasileiros, deverá servir de pano de fundo para a visita que o presidente Itamar Franco frá a seu colega Carlos Menem, de 24 a 26 deste mês. Segundo o embaixador Rubens Barbosa, subsecretário-geral de assuntos econômicos do Itamaraty, no primeiro trimestre deste ano houve um aumento de 70% nas vendas argentinas ao Brasil (cerca de US$550 milhões) em relação a igual período do ano passado. As exportações brasileiras cresceram 40% (aproximadamente US$850 milhões). A ampliação das importações brasileiras ficará registrada nos anexos dos protocolos de trigo (o Brasil assume o compromisso de adquirir dois milhões de toneladas no período 1993/94) e energia (aquisição de petróleo, cerca de US$400 milhões, neste ano). Os dois países têm 24 protocolos de integração. O de integração fronteiriça também será ampliado. As negociações da Rodada Uruguai do GATT, o encaminhamento da tarifa externa comum do MERCOSUL, e as recentes medidas adotadas pelo governo argentino, na área tarifária, são assuntos que também serão analisados durante a visita. A Argentina está utilizando as tarifas como um dos instrumentos principais de política econômica, enquanto no Brasil, que possui alíquotas de importação mais altas do que o país vizinho, o governo tem mais flexibilidade na área de câmbio. No dia 27 de maio, o presidente Itamar Franco vai ao Uruguai, para uma rodada de temas semelhantes aos abordados na Argentina. Os dois governos instalarão, em Montevidéu, a comissão trilateral para a construção do eixo viário ligando São Paulo-Porto Alegre-Montevidéu-Colônia-Buenos Aires (GM).