CONAB LANÇA PLANO CONTRA A FOME

Apenas um terço da população brasileira tem acesso a uma dieta alimentar adequada. Os restantes dois terços se encontram em situação de desnutrição crônica e, como consequência desse quadro, a cada minuto morre uma criança de até um ano no país. Estes dados são citados no Plano Nacional de Abastecimento Alimentar (Planab -1993/94), que será apresentado hoje, em Brasília (DF). O plano engloba ações do governo federal para o combate à fome e é coordenado pela Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB). Inicialmente, o Planab pretende "atender 1,464 milhão de famílias, para, ao final de 20 meses, atender nove milhões de famílias com renda de até um salário-mínimo". Os principais pontos do programa são: 1) Ampliar de 13 mil para 30 mil o número de micro e pequenos varejistas filiados à Rede Somar (recursos necessários de US$20 milhões para capital de giro da rede). 2) Convênios entre a CONAB e estados e municípios para apoiar programas de abastecimento (recursos necessários de US$5 milhões). 3) Criar uma linha de marcas próprias com produtos de boa qualidade e preços acessíveis para venda pelos varejistas filiados aos programas da CONAB (recursos necessários de US$5 milhões). 4) Facilitar aos micro e pequenos comerciantes acesso direto aos estoques do governo (liberação dos estoques com prazo de 60 dias para pagamento pela CONAB). 5) Criação do "Cestão da Economia", com produtos básicos a preços acessíveis (recursos necessários de US$3 milhões). 6) O programa "Não ao desperdício" destinará US$5 milhões para estudos e montagem de programas-piloto que visem identificar as fontes de desperdício e sua diminuição, além de elaboração de cartilhas para conscientizar a população. 7) O programa Novas alternativas de alimentação será articulado com o Instituto de Tecnologia de Alimentos (ITAL) e outras instituições similares para pesquisa de novos alimentos a partir de matérias-primas como soja, acerola e peixes. O sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, coordenador do programa de combate à fome e à miséria, discursou ontem para 400 jovens do Colégio São Vicente de Paulo, no Rio de Janeiro (capital), sobre o "apartheid" social brasileiro, provocado pela miséria e pela fome. Betinho denunciou a existência de 32 milhões de Indigentes" no Brasil, sendo que 1,7 milhão deles estão no Rio de Janeiro. "O país é dividido entre os gentes, que têm dinheiro para sobreviver, e os não gentes, que são os pobres, e os indigentes, que não tem onde morar ou o que comer", afirmou. O sociólogo conclamou os adolescentes a formarem grupos de combate à miséria e seus pedidos foram imediatamente atendidos. Os alunos criaram o Comitê Graúna, que será coordenado por 10 pessoas, e estendido à comunidade. Eles querem promover a coleta de papel para reciclagem, como forma de arrecadar dinheiro para ajudar o desenvolvimento do Plano de Combate à Fome e à Miséria. A direção do colégio doou Cr$1 milhão para o programa "Se essa rua fosse minha", que dá comida aos menores sem teto (JB) (JC).