A ministra-chefe da Secretaria da Administração Federal (SAF), Luiza Erundina, foi demitida ontem pelo presidente Itamar Franco, por telefone, após 112 dias no cargo. O presidente disse à ministra que estava iniciando uma reforma ministerial e que precisava de seu cargo. Para o lugar de Erundina, Itamar convidou o general da reserva Romildo Canhim, que preside a Fundação Habitacional do Exército e foi diretor do Palácio do Planalto no governo Sarney. No encontro que teve no Planalto, Erundina, já demitida, alertou o presidente sobre seus colaboradores mais próximos e criticou especificamente o ministro-chefe da Casa Civil, Henrique Hargreaves, acusando-o de protelar ações para apurar irregularidades no governo. A gota dágua para a demissão de Erundina foi uma entrevista à TV, pela manhã, onde se mostrou indignada com o grande número de policiais militares que cercavam a Esplanada dos Ministérios, onde se concentravam servidores públicos em greve. O último ato da ministra no governo também foi mal recebido: em fax dirigido aos ministros da Fazenda e do Planejamento, ela pedia reunião urgente para tratar da política salarial do funcionalismo. Em entrevista, a ex-ministra disse que o presidente fez uma opção por "um Ministério de direita, que é a cara do Hargreaves e do Eliseu". Erundina denunciou a existência de tráfico de influência no Palácio do Planalto, que não acredita ser do conhecimento do presidente. Ela citou meia-dúzia de casos de corrupção e irregularidades, entre elas as pressões de Hargreaves para a readmissão do servidor Getúlio Fernandes Pereira, que extorquia e explorava servidores públicos dos ex-territórios. O ministro da Agricultura, Lázaro Barbosa, também foi demitido ontem. Para o seu lugar deve ser nomeado o presidente da Sociedade Rural Brasileira (SRB), Roberto Rodrigues. Lázaro deve permanecer no governo em outro cargo. Iniciada a reforma ministerial, outros ministros também devem sair. São eles: Coutinho Jorge (Meio Ambiente), Alberto Goldman (Transportes), Jamil Haddad (Saúde), Paulino Cícero (Minas e Energia) e Antônio Houaiss (Cultura) (JB) (FSP) (O Globo).