O governo brasileiro e os bancos privados credores no exterior chegaram a um novo acordo mínimo sobre a distribuição dos novos bônus da dívida do país. Os representantes dos bancos no Comitê Assessor (o cartel dos credores), aceitaram fixar tetos para os dois principais bônus, o de desconto e o ao par. Por esse novo acordo, que deverá estar concluído dentro de 60 dias, os bancos se comprometem a fazer a renegociação da dívida trocando, no máximo, 40% pelo bônus ao par. No caso do bônus de desconto, o compromisso é trocar, pelo menos, 35% da dívida por esse papel. As renegociações das dívidas externas se resumem ao seguinte: uma troca de papéis antigos por novos títulos, com condições diferenciadas. O bônus considerado mais lucrativo pelos bancos no caso do Brasil é o ao par, pois é um papel que mantém o valor da dívida anterior-- daí o seu nome. Já o governo brasileiro prefere o bônus de desconto, pois o papel embute um corte de 35% no valor da dívida atual, de cerca de US$40 bilhões. Em uma primeira opção, os bancos haviam escolhido trocar cerca de 59% da dívida pelo bônus ao par. Aparentemente, esse obstáculo foi superado. Mas para que o acordo entre em vigor são necessários outros passos-- entre eles a adesão de todos os bancos; um acordo entre o Brasil e o Fundo Monetário Internacional (FMI) e a aprovação de tudo o que for acertado pelo Senado Federal (FSP).