Uma comissão integrada por representantes do Exército, da Igreja, da Defesa Civil e do governo do Piauí se deslocará hoje até o Município de São Raimundo Nonato para investigar denúncias de desvio de alimentos do Programa da Fome e de irregularidades nas Frentes Produtivas de Trabalho. Criados há mais de um mês pelo governo federal para socorrer as vítimas da seca no Nordeste, os dois programas ainda não começaram no município por incúria do prefeito Gaspar Dias Ferreira. Um dos municípios mais castigados pela estiagem, São Raimundo Nonato recebeu 31 toneladas de feijão no dia 18 de abril para aplacar a fome dos flagelados. Mas em vez de fazer a imediata distribuição, como manda o programa, o prefeito escondeu o alimento num depósito abandonado, de sua propriedade, na suposição de que a seca vai se agravar nos próximos meses. Pressionado pela população e pelas autoridades estaduais, ele resolveu finalmente iniciar hoje a entrega do feijão, em sacolas de 10 quilos para cada família carente. No Rio de Janeiro, a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social começou ontem a distribuir a 1.400 escolas e creches do município cerca de duas mil toneladas de feijão mulatinho, doadas pelo governo federal em março à prefeitura. Cada aluno da rede levará para casa dois quilos do produto. O trabalho de distribuição deverá estar concluído dentro de um mês (O ESP) (O Globo).