Os servidores públicos federais decidiram ontem permanecer em greve por tempo indeterminado. A paralisação começou no último dia 13 e atinge praticamente todos os ministérios. A determinação da ministra-chefe da Secretaria da Administração Federal (SAF), Luiza Erundina, que mandou cortar o ponto dos funcionários durante os dias de greve, não alterou a decisão dos grevistas de continuar o movimento. O comando geral da paralisação anunciou que o pagamento dos dias parados também fará parte das negociações com o governo, que ainda nem começaram. Ontem, os manifestantes desceram a Esplanada dos Ministérios e desenharam, em fila, no gramado em frente à SAF o índice de 113% de reajuste salarial que reivindicam. O índice significa a recomposição do quadrimestre para zerar as perdas salariais de janeiro a abril. A ministra Erundina acenou com a possibilidade de 97% de aumento mas, até agora, não houve qualquer reunião interministerial para discutir o reajuste com os grevistas. Também ontem, o ministro-chefe da Casa Civil, Henrique Hargreaves, e seus assessores pediram ao presidente Itamar Franco que demita Erundina. Disseram que ela está insuflando os militares na questão da isonomia salarial e insiste no aumento de 97% para o funcionalismo público, quando sabe que o governo não tem caixa para isso (O ESP).