FAZENDEIRO RIMA LUCRO COM BENEFÍCIO SOCIAL

De um lado, laranjais irrigados com tecnologia de Israel, usina de café fino tipo exportação, alta produtividade de cana-de-açúcar com teor de sacarose acima da média. De outro, reajuste mensal de salários para os trabalhadores e moradia garantida através do pagamento de um aluguel simbólico (Cr$75 mil em maio). A combinação, pouco comum nas zonas rurais brasileiras, é a fórmula do sucesso da fazenda Santana do Baguaçu, em Pirassuninga (SP), de propriedade de José Gomes da Silva, 69 anos, o Zé Gomes. Ele foi secretário de Agricultura no governo Franco Montoro e presidente do INCRA no governo Sarney. Ele faz questão de frisar que sua fazenda é um empreendimento capitalista, que precisa dar lucro. Enquanto implementa um projeto de piscicultura, o fazendeiro finaliza a instalação de uma moderna usina de café fino, que custou Cr$1,5 bilhão. A Santana do Baguaçu é uma fazenda de agrônomos. Trabalhamos com planos
73939 de cinco anos, controlando produtividade e custos por computadores, diz. É política da fazenda não tomar crédito superior a 20% da receita rural. "O crédito é encilhador, uma aporrinhação", diz Zé Gomes. Os benefícios sociais concedidos aos 350 trabalhadores da fazenda representam 50% da massa salarial. Para morar nas casas da fazenda, cada família paga um aluguel simbólico. A taxa de energia elétrica este mês ficou em Cr$63 mil. A água, que vem da nascente da propriedade, é gratuita. Oa alimentos são vendidos com subsídios. O desconto em relação ao preço do produto é de no mínimo 20%. O litro de leite produzido na fazenda custa Cr$7 mil. Com Cr$25 mil compra-se um quilo de arroz plantado lá mesmo. O porco, que alimenta com esterco os peixes, vira alimento a Cr$34 mil o quilo. Para dar mais uma opção de trabalho às mulheres, foram plantados 14,2 mil pés de seringueiras. Elas trabalham quatro horas por dia e ganham salário integral. Zé Gomes é o autor do Programa de Segurança Alimentar apresentado ao presidente Itamar Franco pelo presidente do PT, Luís Inácio Lula da Silva. "Acho positivo a fome estar virando uma questão política. Anos atrás, tentavam suavizar o problema falando em desnutrição dentro de um aspecto puramente biológico", disse (FSP).