A AIDS está caminhando para ser uma doença de populações de baixa renda, que também sobrevivem menos à doença; crianças infectadas pelo HIV desenvolveram formas severas de tuberculose mesmo depois de vacinadas; mais da metade de uma amostra de professores da rede pública não sabiam que o vírus HIV causa a doença. Estes são alguns dos resultados de pesquisas sobre a epidemia da AIDS feitos por pesquisadores brasileiros que deverão ser relatados em Berlim (Alemanha), durante a conferência internacional sobre a doença em junho próximo. Segundo a equipe de Alexandre Grangeiro, do Centro de Referência e Treinamento em AIDS de São Paulo, entre 1988 e 1991 houve um aumento mais rápido da doença em populações pobres, associado ao uso de drogas injetáveis e transmissão heterossexual. De acordo com Robson Zamboni, no mesmo centro, o estudo de 300 indivíduos entre 10 e 18 anos revelou 73,6% de usuários de drogas injetáveis, o maior fator de risco para esses adolescentes em São Paulo. Para Nancy Collarede, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o aleitamento por mulheres infectadas não é aconselhável se não há risco de mortalidade infantil pelo uso de mamadeira (FSP).