Os chanceleres do Brasil, do Chile e da Argentina, reunidos ontem em Tóquio, pediram um esforço do Japão para reduzir o desequilíbrio com os países latino-americanos e aumentar os investimentos na região. A ajuda que a América Latina recebeu do Japão em 1991 foi de US$864 milhões. Desse total, US$352 milhões foram destinados ao Peru. O pedido foi feito ao ministro das Relações Exteriores do Japão, Kabun Muto, no primeiro dia das conversações com vistas à reunião do Grupo dos Sete (G-7, países ricos), prevista para julho, na capital japonesa. De acordo com um integrante da delegação chilena, Muto se dispôs a ajudar, mas afirmou que as reformas econômicas e a democracia são condições imprescindíveis para melhorar as relações econômicas entre o Japão e a América Latina. Hoje, os ministros Fernando Henrique Cardoso (Brasil), Enrique Silva Cimma (Chile) e Guido Di Tella (Argentina) reúnem-se com representantes da Câmara de Comércio e com a Liga Parlamentar Japão-América Latina. A série de reuniões havia sido proposta em setembro de 1992 pelo ex- chanceler japonês Michio Watanabe, durante uma reunião em Nova Iorque (EUA) com os ministros do Grupo do Rio, que reúne 12 países da América Latina partidários da democratização e do desenvolvimento da economia de mercado na região. Brasil, Chile e Argentina querem que o Japão seja o porta-voz das reivindicações latino-americanas no G-7. Para o ministro Fernando Henrique Cardoso, a retomada das inversões na América Latina é possível porque: 1) há muito dinheiro a ser aplicado pelos países ricos (só o Japão tem um superávit comercial de mais de US$100 bilhões); 2) a região tem conseguido manter a paz, tem estabilidade política e economia de mercado. Os países latino-americanos também reivindicaram junto ao Japão uma participação maior na Rodada Uruguai do GATT (debate mutilateral sobre comércio mundial) e a redução nos subsídios agrícolas em vigor especialmente na Europa e Japão. O objetivo é exportar mais para essas regiões. De acordo com Cardoso, o Japão também demonstrou interesse em apoiar uma negociação maior em torno da legislação sobre patentes. O chanceler considera ser possível a aceitação de uma lei mais flexível (como a que está em debate no Congresso Nacional) por parte dos países industrializados (O Globo) (FSP) (JB).