Um grupo privilegiado de 78 deputados federais recebeu da Câmara empréstimos sem juros e sem correção monetária que totalizaram Cr$3,83 bilhões no primeiro trimestre deste ano. Entre os beneficiados estão o presidente Inocêncio de Oliveira (PFL-PE), o líder do governo, Roberto Freire (PPS-PE), o coordenador da Procuradoria da Casa, Vital do Rêgo (PDT-PB) e o deputado Paulo Delgado (PT-MG). A autorização para a liberação dos recursos é feita pelo diretor-geral da Câmara, Adelmar Sabino (há 10 anos no cargo). Cobertos com recursos do Tesouro Nacional, ou seja, com dinheiro dos contribuintes, estes "adiantamentos", como os créditos são classificados pelos parlamentares, são vedados para os demais servidores da União. Na Câmara, os empréstimos são feitos de maneira informal, no limite da remuneração líquida dos deputados (cerca de Cr$100 milhões em maio). Qualquer banco cobraria juros acima de 40% ao mês pelos empréstimos. O maior beneficiado por essa mordomia foi o primeiro-secretário da Mesa, Wilson Campos (PMDB-PE), com Cr$122 milhões. Campos é justamente o responsável pelo pagamento de deputados e servidores da Casa. O presidente da Câmara, Inocêncio de Oliveira, recebeu um empréstimo de Cr$60 milhões, que já foram quitados. Os empréstimos são cobertos com o saldo de caixa da Câmara e descontados dentro do mesmo mês. Em março, foram adiantados Cr$983 milhões. O presidente da Câmara afirmou que os empréstimos são legais e representam uma tradição de 40 anos da Casa (FSP).