Um "cemitério" de projetos da SUDENE (Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste), de cerca de 300 mil hectares, está perdido no Sul do Piauí, entre os municípios de Canto do Buriti e São Raimundo Nonato. Dos 16 megaprojetos agropecuários da região, todos financiados com recursos públicos, 13 fracassaram, um funciona parcialmente e apenas dois deram resultados satisfatórios. Os US$300 milhões investidos nesses projetos são parte dos US$8,5 bilhões que a SUDENE já recebeu do governo federal para estimular o desenvolvimento do Nordeste. Grande parte do dinheiro foi distribuída a fundo perdido por linhas de financiamento, como o Finor Agropecuário, que bancou os projetos do Sul do Piauí. Várias auditorias, inspeções e inquéritos políciais indicam que pelo menos a metade dos recursos-- mais de US$4,2 bilhões-- foi mal aplicada, sendo usada em projetos sem possibilidade de retorno, que terminaram falindo, ou desviada por empresários incompetentes ou inescrupulosos. A distribuição de recursos da SUDENE foi farta de 1976-- auge do chamado "milagre econômico"-- a 1985, quando foram investidos US$6 bilhões na região (JC).