DISTRIBUIÇÃO DE RENDA TEVE LIGEIRA MELHORA

A distribuição de renda no Brasil melhorou entre 1990 e 1992, mas nada que mereça comemorações. O abismo que separa os mais ricos dos mais pobres continua enorme: no segundo semestre de 92, os 10% mais ricos ganharam 90 vezes mais que os mais pobres. Apesar da concentração de renda continuar assustadora, o Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (IPEA) detectou uma queda histórica, no período, de 10%. A concentração da renda caiu de 0,6% em 1990, para 0,55% ano passado. Esta ligeira queda não é suficiente para fazer do Brasil um dos recordistas em desigualdade social. Segundo o autor do estudo e consultor do IPEA, André Urani, os 10% mais ricos tiveram sua participação reduzida de 48% para 44% do total da renda. O economista da PUC-RJ, Edward Amadeo, considera a redução da concentração de renda relevante. Duas das possíveis razões para a queda são a política salarial "que apesar de muito ruim" oferece alguma proteção aos que ganham até três salários-mínimos e o enxugamento de camadas hierárquicas nas empresas. A participação dos 10% mais pobres passou do 0,45% da renda global para os ainda miseráveis 0,65%. Urani ressalta que o ligeiro aumento da fatia dos mais pobres aconteceu em um contexto de encolhimento geral. Nos últimos dois anos, a renda média da População Economicamente Ativa caiu cerca de 20% (JB).