EX-SERVIDORES FEDERAIS RECEBEM SALÁRIO DA ATIVA

Mais de 580 mil ex-funcionários públicos federais e seus dependentes recebem atualmente aposentadorias e pensões que são corrigidas periodicamente pelos mesmos percentuais aplicados aos salários de 1,1 milhão de servidores civis da União que estão na ativa. Só quem trabalha para o governo tem esse benefício. Já os militares, quando se aposentam, recebem uma promoção para ganhar, na reserva, o mesmo soldo de seus superiores imediatos. É um direito adquirido que nenhuma outra categoria profissional detém. Os civis conseguem manter a integridade dos salários porque, em geral, se aposentam através de fundos de pensão formados com o dinheiro dos impostos. Os demais assalariados, que também pagam impostos, quando se aposentam pelo INSS (Instituto Nacional de Seguridade Social), têm que se contentar com proventos-- baseados na média salarial dos últimos 36 meses de serviço-- inferiores aos salários que recebiam na ativa. Além disso, estão sujeitos ao limite máximo de aposentadoria de 10 salários-mínimos (Cr$33,033 milhões, hoje). Enquanto isso, no serviço público federal, as aposentadorias vão do salário-mínimo até remunerações que ultrapassam os Cr$50 milhões. Representam um gasto mensal, para os cofres da União, superior a Cr$10 trilhões. Embora, na maioria, os beneficiários sejam pessoas que trabalharam entre 30 anos (caso das mulheres) e 35 anos (caso dos homens) para o governo, trata-se de um privilégio não usufruído por dezenas de milhões de outras pessoas que trabalharam na iniciativa privada todo esse tempo e, na velhice, têm de se submeter às baixas pensões e aposentadorias pagas pela Previdência Social (JB).