O governo federal manteve congelados por mais de três anos cerca de US$200 milhões emprestados pelo Banco Mundial (BIRD) para a execução do projeto de irrigação Nordeste 1. Neste período foi realizada apenas a contratação de serviços de consultorias, no total de US$8,7 milhões, com valores que apresentam indícios de superfaturamento. O custo do serviço de um engenheiro contratado por uma consultoria chegava a Cr$620 milhões mensais, enquanto o salário de um engenheiro do DNOCS (Departamento Nacional de Obras Contra a Seca) estava em Cr$14 milhões. A denúncia será formalizada pelo deputado federal Jackson Pereira (PSDB- CE) à Procuradoria Geral da República no próximo dia 19, com solicitação de abertura de um inquérito civil público. Ele aponta uma série de irregularidades na atuação da Secretaria Nacional de Irrigação, que toca o projeto Nordeste 1. Segundo o deputado, o atraso nas obras ocorreu porque "não tem havido a gestão adequada desses recursos e porque o esquema PC não conseguiu administrar, como queria, o processo licitatório". O parlamentar aponta como responsável pelo atraso nas obras o coordenador do projeto na Secretaria de Irrigação, Edson Zorzin. Ele coordena três projetos financiados pelo BIRD, num valor total de US$906 milhões: Engenharia e Irrigação do Nordeste (93% das obras concluídas), Sub-Setorial de Irrigação 1 (50%) e Nordeste 1 (apenas 4,1% das obras concluídas). Os três foram aprovados no final do governo Sarney (FSP).