BRASIL SOFRE CALOTE DE US$731 MILHÕES

O Brasil sofreu um calote de US$731,74 milhões com exportações de bens e serviços para 36 países, segundo dados do IRB (Instituto de Resseguros do Brasil), do Ministério da Fazenda. A cifra refere-se a operações feitas com seguro de crédito do governo entre 1968 e 1991, que pararam na Justiça e são consideradas de difícil recebimento. Como os importadores não honraram seus compromissos, a conta ficará com o Tesouro Nacional. Mais da metade do rombo-- US$385,52 milhões-- vem da exportação de navios para empresas baseadas na Libéria, Panamá, Bahamas, Bermudas e Cingapura. O governo financiou os importadores com recursos do FINEX (Fundo de Financiamento às Exportações, extinto em 1990) e, ao mesmo tempo, usou o IRB para fazer o seguro da operação. As seguradoras privadas, que bancavam 6,25% do risco de crédito das exportações de navios, saltaram do barco quando as operações começaram a dar prejuízos. Em 1987, quando o calote estava configurado, o Conselho Monetário Nacional (CMN) determinou que os contratos fossem modificados e incluída a cláusula de risco político extraordinário. Com a medida, o Tesouro Nacional assumiu total responsabilidade de pagamento do seguro. A Libéria lidera a relação dos 36 países devedores (US$245,1 milhões), seguida do Egito (US$85,3 milhões) e Bermudas (US$66,06 milhões). Na América Latina, os maiores prejuízos foram registrados no México (US$36,34 milhões), Chile (US$28,9 milhões), Paraguai (US$17,28 milhões) e Argentina (US$13,13 milhões) (FSP).