TRAFICANTES CONTROLAM ASSOCIAÇÕES DE MORADORES NO RJ

Os traficantes estão reduzindo a pó o movimento comunitário nas favelas e nos bairros carentes do Rio de Janeiro. Seis anos depois de o "Comando Vermelho" determinar a subordinação das associações de moradores ao tráfico de drogas, o movimento comunitário passa por sua maior crise. A Federação das Associações de Favelas do Rio de Janeiro (FAFERJ) afastou, na semana passada, o presidente da Associação de Moradores do Jardim Nossa Senhora das Graças, Carlos José Evangelista Silva, o "Carlão", acusado de desviar dinheiro da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social para comprar maconha e cocaína. Por envolver verbas públicas, o episódio é considerado o sintoma mais grave da contaminação que as associações vêm sofrendo ao longo dos últimos anos. Segundo a antropóloga Alba Zaluar, há estudos indicando que 80% das entidades comunitárias nas áreas carentes do Rio de Janeiro estão sob o domínio do tráfico. Um domínio que inibe o surgimento de novas lideranças, enfraquece a associação e tira o único canal que a comunidade tinha para fazer suas reivindicações. Com a associação nas mãos, os traficantes conseguem reforçar o caixa com a cobrança de "taxas comunitárias", camuflando a antiga prática de se cobrar pedágio dos moradores e comerciantes. A cobrança das taxas comunitárias está sendo investigada pela polícia no Morro do São Carlos, onde a associação é presidida pelo ex-presidiário Adilson Balbino, acusado de controlar a venda de drogas no local. As associações de moradores são utilizadas ainda pelo tráfico como fachada legal para contratar shows de pagode e bailes "funk". Londe de demonstrar uma preocupação com o lazer dos favelados, o maior interesse com a promoção das festas é atrair os viciados e, mais uma vez, reforçar o caixa do tráfico utilizando a associação de moradores (O Globo).