A simpatia dos brasileiros pelos partidos políticos sofreu uma inversão completa nos últimos 30 anos. Em março de 1964, uma pesquisa do IBOPE em oito capitais do país mostrou que 63% da população tinha simpatia por algum partido. Pesquisa semelhante feita pelo IBOPE no mês passado chegou a resultado extamente contrário: 63% da população não tem preferência por nenhum dos partidos disponíveis. Do total de entrevistados, 5% não opinaram e apenas 32% citaram alguma sigla. A comparação foi feita pelo diretor do Centro de Pesquisa, Análise e Comunicação (Cepac), Rubens Figueiredo, que considera o número preocupante por demonstrar o nível de desgaste sofrido pelos partidos nas últimas três décadas. "A população está associando democracia com crise e isso pode ser muito perigoso", observa. Para os cientistas políticos, há uma outra razão para a decadência dos partidos. Eles preferem destacar alguns defeitos do processo democrático, como a falta de uma nova legislação eleitoral e partidária. Na opinião de Rubens Figueiredo, o quadro só vai mudar com a diminuição do número de partidos, o voto distrital misto e uma nova regulamentação das campanhas eleitorais. "A existência de 30 siglas é uma aberração, porque qualquer coalizão fica instável", observa. Os partidos que têm a preferência dos brasileiros são: Em março de 1964-- PTB (29%), nenhum (37%), UDN (14%), PSD (7%), PSP (5%) e outros (7%). Em abril de 1993-- PMDB (11%), PT (7%), PDT (4%), PPR (3%), PFL (3%), PL (1%), PSDB (1%), PTB (1%), outros (1), sem opinião (5%) e nenhum (63%) (O ESP).