As autoridades do setor nuclear brasileiro terão de explicar por que não informaram que havia problemas em Angra 1 quando a usina foi desligada, em cinco de março último. O Ministério Público federal instaurou ontem inquérito civil para apurar responsabilidades sobre a omissão de informações. Naquele dia, o boletim diário que FURNAS fornece à prefeitura de Angra dos Reis (RJ) não mencionava os vazamentos internos de combustível no reator, motivo real da paralisação. Após requerer informações a FURNAS, o procurador da República Paulo de Bessa Antunes concluiu que as versões sobre a justificativa da paralisação da usina são "desconectadas". Decidiu então pela abertura do inquérito, que pode originar em uma ação civil ou até mesmo penal. Os problemas em Angra 1 acabaram sendo divulgados pela Greenpeace, a partir de denúncia anônima confirmada pela CNEN (Comissão Nacional de Energia Nuclear) (JB).