ECONOMISTA DOS EUA PREVÊ ENTRAVES PARA O MERCOSUL

A implantação do MERCOSUL, até dezembro de 1994, poderá se tornar inviável, em razão da existência de grande número de cálculos para o estabelecimento dos acordos previstos. Essa foi a opinião do professor da Universidade George Washington (EUA) e fundador do Institute of Brazilian Business and Public Management Issues (IBI), James Ferrer Junior, em palestra "O MERCOSUL e o NAFTA: uma abordagem comparativa", promovida pela Câmara dos Deputados. Ferrer lembrou que o Mercado Comum Europeu, após 30 anos de estudos, ainda não conseguiu unificar o sistema monetário e criar um banco central. O MERCOSUL, entende, terá mais dificuldades porque há disparidades entre as economias. Para Ferrer, a Argentina está progredindo economicamente, mas o Brasil ainda enfrenta muitos problemas econômicos. Segundo ele, o MERCOSUL irá movimentar, em produção, US$1,5 trilhão e reunirá mais de 200 milhões de habitantes. O NAFTA, segundo Ferrer, terá mais facilidades para se concretizar. O NAFTA possui prazo maior de implantação, até 15 anos, com movimentação de US$6 trilhões em produção, envolvendo 360 milhões de habitantes. Economicamente, explicou, também será mais viável, pois Canadá e EUA têm aumentado seu comércio e têm níveis de desenvolvimento semelhantes. Porém, o problema, disse, será o México, que terá necessidade de modernizar seu parque industrial. MERCOSUL e NAFTA têm, ainda, outra diferença, considera Ferrer. Um mercado comum envolve a unificação de tarifas alfandegárias entre os países membros e sua instituição para as demais nações com as quais são mantidas relações bilaterais. Isso demandaria sacrifícios", acentuou. Já o livre comércio prevê tarifas diferenciadas apenas para os países da área, excetuando aqueles localizados em outras regiões (JC).