EMPREITEIRAS DA PETROBRÁS TÊM ESCRAVOS

O Sindicato dos Petroleiros da Bahia denunciou ontem que as empreiteiras Ultratec e Benil, contratadas pela PETROBRÁS, mantêm cerca de 200 homens em regime de trabalho escravo na região de Catu, a 76 km de Salvador. Segundo o sindicato, há dois meses os funcionários não recebem salário: trabalham só por comida. Além disso, há seis meses as empreiteiras não pagam adicional de insalubridade aos funcionários e muitos não têm carteira assinada. Mas, a cada 15 dias, as empreiteiras recebem o pagamento da PETROBRÁS, corrigido pela inflação. O assessor de Comunicação Social da estatal na Bahia, Carlos Fonseca, reconheceu a existência do problema, mas disse que a empresa não tem poder de fiscalização. "O quadro é verdadeiro, mas a PETROBRÁS só pode rescindir contrato com as empreiteiras se o trabalho emperrar ou pôr em risco as linhas de produção", disse. Em 1990, foram registradas quatro mil denúncias de trabalho escravo no Ministério do Trabalho. Em 1991, o número dobrou para oito mil e no ano passado foram contabilizados 17 mil queixas. Para reverter este quadro será instalado até o final do mês o Conselho Nacional do Trabalho, que vai examinar propostas como a desapropriação de terra em que há exploração de trabalho escravo, em tramitação no Congresso Nacional. O secretário de Fiscalização do Trabalho, José Luiz Ricca, aponta a falta de emprego e a recessão como causas (JB).