O governo já comprovou que pelo menos 120 mantenedoras de escolas, beneficiadas com o título de utilidade pública ou classificadas como entidades filantrópicas, estão obtendo lucros exorbitantes, sem repassar qualquer benefício aos alunos. Com base nos demonstrativos financeiros destas entidades, as autoridades vão puni-las e modificar os critérios de concessão dos benefícios. Os documentos remetidos às autoridades pelas próprias entidades comprovam as suspeitas de que muitas associações se valem do privilégio para escapar ao pagamento de tributos e contribuições. Este é o caso, por exemplo, da Associação Brasileira de Educação e Cultura (ABEC), que obteve um "superávit" de Cr$151,5 bilhões no exercício de 1992. A ABEC mantém os colégios maristas de São Paulo, Brasília, Amazonas e Paraná. De acordo com o demonstrativo financeiro publicado no "Diário Oficial" de São Paulo, de 1o. de abril de 1993, a entidade transferiu o lucro para a reserva patrimonial (JB).