RECESSÃO NÃO ATINGE SETOR DE TELECOMUNICAÇÕES

Nenhum segmento da economia brasileira cresceu mais que o setor de telecomunicações. Em 1985, a participação dos serviços de telefonia, como ligações urbanas, interurbanas e internacionais, representou 1,97% do PIB nacional. No ano passado, chegou a 4,24%, mais que dobrou em oito anos. Esses dados, do IBGE, demonstram vitalidade em período de diversos planos econômicos, fase recessiva, épocas em que outros segmentos reduziram a participação, como a indústria, que em 85 representava 44,14% e em 1992 caiu para 39,8%, ou o comércio, que alcançava 12,21% e no ano passado ficou em 11,31%. O número de novos telefones nestes oito anos aumentou em 3,938 milhões de linhas instaladas, totalizando 10,63 milhões. Com este volume, o Brasil fica na relação de sete telefones para cada 100 habitantes, índice mais baixo do que os registrados na Argentina, no México ou em Portugal. Os investimentos de US$3 bilhões garantidos no orçamento da União, estabelecidos para este ano, prevêem 950 mil telefones convencionais e 300 mil celulares, chegando a 11,88 milhões. Mas uma das áreas de crescimento mais explosivo no setor vem sendo a de comunicação de dados. Não entra com indicador em separado no cálculo do PIB, mas só na EMBRATEL representou 50% do faturamento total da estatal, que em 1992 foi de US$1,4 bilhão. Neste ano, nos investimentos de US$700 milhões da empresa, o destaque fica para os canais de fibras ópticas, interligando várias cidades brasileiras, a começar pela ligação entre Rio de Janeiro e São Paulo, com inauguração prevista para julho. A rede com sistema de transmissão digital beneficiará não só a qualidade dos serviços de telefonia como, fundamentalmente, criará novas facilidades na transmissão de dados. Os investimentos para o setor, a demanda acelerada de serviços com o avanço da tecnologia de telecomunicações e, principalmente, o potencial de crescimento aliado à possibilidade de abertura do monopólio estatal à iniciativa privada, através da revisão constitucional prevista para outubro, vêm sendo os principais atrativos ao capital estrangeiro. Trata- se de um dos poucos setores da economia que atualmente no país atrai investimentos externos (GM).