ATRASO NO GATT DIMINUI CHANCE DE PAÍSES POBRES

As negociações da Rodada Uruguai do Acordo Geral de Tarifas e Comércio (GATT), que estão com dois anos e meio de atraso, continuam num impasse, devido às divergências entre os EUA e os países da Comunidade Européia (CE). Está em discussão-- além de ações para um mercado internacional mais aberto-- a oportunidade para que os países em desenvolvimento concorram de forma mais equitativa no sistema comercial mundial criado pelas nações industrializadas. Em abril, o governo dos EUA ameaçou impor sanções comerciais a várias nações, entre elas o Brasil, o Japão e a Índia. Dentro de CE, a França mantém posição intransigente em relação aos subsídios agrícolas que, há cerca de 20 anos, protegem os produtores franceses. O atual sistema de políticas comerciais bilaterais está longe da teoria segundo a qual o mercado, e não os governos, determinam a quantidade de vens e serviços a serem negociados. Pesquisa efetuada pela Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) e pelo Instituto Mundial para a Investigação do Desenvolvimento Econômico, analisou os efeitos de uma possível redução de 20% no subsídio aos produtores nos países de maior produtividade. O estudo sugere que a redução do apoio aos principais cereais, carne, açúcar e feijão de soja poderia significar benefício para as receitas dos países em desenvolvimento de US$321 milhões por ano. Esses benefícios comerciais líquidos subiriam para US$456 milhões na América Latina e Caribe e para US$145 milhões nos países asiáticos em desenvolvimento (JC).