A Polícia Federal da Paraíba abriu inquérito para investigar denúncias da Delegacia Regional do Trabalho (DRT) de que trabalhadores rurais paraibanos estão sendo aproveitados como mão-de-obra escrava no Amazonas. Anteontem, a PF e fiscais da DRT impediram o embarque de 30 trabalhadores de Santa Rita (PB). Os trabalhadores seriam levados para a cidade de Presidente Figueiredo (AM), onde trabalhariam no corte de cana-de-açúcar para a destilaria Pororoca Agroindustrial. O delegado Francisco Leônidas indiciou o representante da destilaria, Francisco Carneiro, e o agenciador de mão-de-obra Manoel Ramos do Nascimento por aliciamento de trabalhadores. Manoel Ramos disse que, no último dia nove, 30 trabalhadores embarcaram para Manaus e foram levados para Presidente Figueiredo. O delegado apreendeu recibos em branco assinados pelos trabalhadores, cópias dos contratos de trabalho e as carteiras profissionais em poder do representante da destilaria. Os trabalhadores disseram que a destilaria prometia comida, alojamento e Cr$36 mil por tonelada de cana cortada. Segundo o delegado do Trabalho na Paraíba, Antônio Dantas, as condições "se constituem em trabalho escravo" (FSP).