A saúde do mundo piorou nos últimos anos, apesar do contínuo avanço da medicina. A conclusão está em um relatório divulgado ontem pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Nações do Terceiro Mundo como o Brasil estão entre as mais afetadas, já que, além de doenças típicas da pobreza (como diarréia, malária e cólera), enfrentam agora problemas típicos de países desenvolvidos, como o câncer e os distúrbios cardiovasculares. A cada ano, 50 milhões de pessoas morrem no mundo, 46,5 milhões (93%) das quais devido a enfermidades. Doenças tropicais, AIDS e tuberculose, lembra a OMS, estão se espalhando indiferenciadamente pelo planeta, atingindo países ricos e pobres. Os dados referem-se a estudos feitos de 1985 a 1990. O informe traz também algumas boas notícias: 80% das crianças já foram imunizadas contra as principais doenças infantis, o que contribui para a redução da mortalidade. Apesar disso, milhões de crianças ainda morrem devido a doenças tratáveis como a diarréia. A expectativa de vida média global está aumentando, e hoje chega a 65 anos. De acordo com a OMS, em países pobres, a gravidez e o parto continuam pondo em risco a saúde. A cada ano, 500 mil mulheres morrem em consequência de complicações médicas. Além disso, dos 140 milhões de bebês que nascem anualmente, quatro milhões morrem poucas horas após o parto. A América Latina, diz a OMS, enfrenta ainda um problema esquecido há mais de um século: a epidemia de cólera. A doença já foi detectada em 68 países, inclusive o Brasil, e causou mais de mil mortes desde o início deste ano (O Globo).