CRÍTICAS DE SECRETÁRIO-GERAL PROVOCAM RACHA NA CUT

A Central Única dos Trabalhadores (CUT), entidade que reúne cerca de 1.900 sindicatos e representa mais de 17 milhões de assalariados, passa hoje pela pior crise interna já registrada em seus 10 anos de existência. No último dia seis, Gilmar Carneiro, secretário-geral e candidato à sucessão do presidente Jair Meneguelli, pôs seu cargo à disposição e disparou uma série de críticas à cúpula da Central, em particular à tesouraria, comandada pelo professor Antônio Delubio. No documento intitulado "Um gesto pela vida - da CUT e de cada um de nós", Carneiro, que também ocupa a presidência do Sindicato dos Bancários de São Paulo, fala em "envelhecimento precoce da CUT" e afirma que a "executiva nacional vem vivendo um processo contínuo de crise de governabilidade em função da não execução das suas resoluções, combinada com uma crise financeira histórica que interfere no seu desempenho político-organizativo". Carneiro quer o afastamento do tesoureiro Delubio, responsável, na sua avaliação, pelos problemas de caixa enfrentados pela entidade. As divergências entre os dois sindicalistas se acirraram na discussão dos planos de trabalho e das dotações orçamentárias. Carneiro pretende profissionalizar a entidade-- "que paga parcos salários a seus funcionários"-- e lançar campanhas como a do FGTS e a comemorativa aos 10 anos da CUT. A tesouraria, a seu ver, estaria inviabilizando esses planos. O presidente da CUT, Jair Meneguelli, não quis comentar as declarações e o documento elaborado pelo secretário-geral Gilmar Carneiro. Segundo ele, não há entidade nem governo que não passe por crises (O Globo).